Matéria
Servidores do Posto de Saúde Pinheiros recebem treinamento sobre amamentação*
MARINGÁ - De esta segunda-feira (14) até sexta-feira (18) servidores do
posto de saúde do Pinheiros recebem treinamento sobre amamentação, no
auditório da Secretaria da Saúde. Esta é a primeira turma de 2007. No ano
passado 9 postos de saúde passaram pela capacitação. O treinamento é para
buscar, junto ao Ministério da Saúde, o título de "Unidade Amiga da
Amamentação".
O secretário da Saúde, Antonio Carlos Nardi, destacou que o resultado dos
trabalhos acerca da amamentação no município tem dado resultados: "Este ano,
com o prêmio Bibi Vogel que recebemos em 2005, pudemos doar ao Hospital
Universitário um módulo de parto vertical, que reforça a importância da
amamentação. A Secretaria da Saúde investe neste tipo de capacitação para
reforçar a necessidade de consolidar o trabalho de apoio à amamentação no
município".
De acordo com a presidente do Comitê de Aleitamento Materno de Maringá, Rita
de Cássia Inocente Kikuchi, a capacitação da Iniciativa Unidade Básica Amiga
da Amamentação - IUBAAM durará até a sexta-feira. O treinamento é o primeiro
dos 10 passos para alcançar o título.
Depois de implantados os 10 passos, o Ministério da Saúde avalia a ação do
municpipio para conceder o título de Unidade Amiga da Amamentação. "A ação
da Secretaria da Saúde deverá se estender, até capacitar os servidores das
23 UBS de Maringá, para buscarmos o título", complementa.
Na capacitação os servidores recebem orientações sobre vantagens da
amamentação, técnicas de pega e posição para amamentar, proteção legal à
maternidade e à amamentação. Também receberão informações sobre a norma
brasileira de comercialização de alimentos para lactentes e crianças de
primeira infância, bicos, chupetas e mamadeiras.
*VANTAGENS*
Amamentar traz muitas vantagens para a mãe e o bebê:
Diminui o sangramento depois do parto, ajuda a voltar ao peso normal e
previne o câncer de mama e ovário.
O leite materno é o ideal para o bebê. Nutre e protege contra as doenças.
O leite materno é completo. Não é preciso dar chá, água, sucos ou outro
leite nos primeiros seis meses de idade.
Nos primeiros dias o leite parece uma água amarela, que prepara o intestino
para receber o leite e é a primeira vacina que o bebê recebe.
Ao sugar, o bebê estimula o cérebro damãe a produzir mais leite.
Amamentando ao peito a mãe não tem despesas com leite, mamadeiras e
medicamentos.
A amamentação fortalece o vínculo mãe e filho. O bebê cresce mais seguro.
Existe troca de carinho, cumplicidade e amor.
A amamentação é prática. Basta abrir a blusa e abraçar o bebê. O leite
materno já está na temperatura ideal, não estraga e não precisa ser
misturado a nada.
A proteína do leite materno é melhor digerida e sai mais rápido do estômago.
O aleitamento materno é bom para o bebê aprender a falar, respirar e
mastigar de forma adequada. Previne, também, a cárie dental.
Serviço:
A Secretaria da Saúde fica na avenida Prudente de Moraes, 885.
Informações no Comitê de Aleitamento Materno de Maringá, telefone 3218-3162.
**
Fonte: http://www.abn.com.br/editorias1.php?id=44220
Patrícia Merlin
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10/05/07
Aniversário de Maringá.
Maringá 60 anos: pioneiras serão homenageadas
MARINGÁ - As comemorações dos 60 anos de Maringá serão marcadas por show, desfile cívico-militar, homenagem aos pioneiros, inaugurações de ATIs e outras atividades para a população. A Prefeitura, por meio da Secretaria da Cultura, já está finalizando os preparativos para o desfile de aniversário, que terá como tema Maringá: a lenda e a cidade, em homenagem aos pioneiros.
Para celebrar essa data Mulheres que fizeram a história de Maringá, como mães, donas-de-casa, funcionárias públicas, empresárias, voluntárias de entidades assistenciais, poetas, artistas entre tantas outras, integrarão o grupo organizado pela Secretaria da Mulher-SeMulher, que irá homenagear a Cidade Canção.
A homenagem será realizada durante o desfile cívico-militar realizado no dia 10 de maio, a partir das 9h30, na avenida XV de Novembro (entre as avenidas Duque de Caxias e São Paulo), logo após o hasteamento das bandeiras.
Algumas mulheres que fizeram a diferença na construção da história e que contribuiram com o desenvolvimento na vida social e política da cidade serão lembradas durante o desfile.
Marianna Spinelli Tait, chegou em Maringá em 1950 foi proprietária da Escola de Datilografia São Paulo, exerceu a função de professora de datilografia por mais de 20 anos. Foi voluntária por muitos anos no Lar dos Velhinhos.
Petronila Laquanetti, veio para a Cidade Canção no ano de 1944. Instalou-se com o marido e os 13 filhos em um sítio no Guaiapó. Sua primeira casa foi de bambu, no sítio Guaiapó. Trabalhou como lavradora, costureira e foi voluntária como parteira. Muitas pessoas do Guaiapó vieram ao mundo por suas mãos. Nos anos 60 mudou-se para a Vila Operária. Sua vida foi dedicada aos doentes. Realizava visitas diárias e dava apoio espiritual não só aos doentes mas às pessoas que perdiam seus entes queridos.
Sumiko Miyamoto, sempre incentivada pela mãe, que enviava mensagens de fé do Japão. Lutou para construção do Jardim de Infância, Auditório Shizuko Miyamoto e do Lar de Cristo Luz Amor, com recursos que conseguiu de suas várias viagens ao exterior. Chegou em Maringá em 1954. Era profesora de música e deixou um legado de boas ações.
Noemia Mafalda Bartella Villanova, a família Villanova chegou em Maringá em 1942 e Noêmia, como a primeira dama do município, realizou várias obras sociais, entre as quais fundou o Posto de Puericultura, no qual foi presidente durante 20 anos realizando grande trabalho que lhe rendeu o título de Cidadã Benemérita. Criou também o primeiro Clube das Mães que funcionava junto com o Posto de Puericultura. Organizou o primeiro Concurso de Robustez e promoveu várias campanhas do agasalho. Dedicou parte de sua vida em prol dos menos favorecidos.
Carmelinda Antonia Batista dos Santos, chegou em Maringá em 1945. Teve oito filhos maringaenses, trabalhou na Prefeitura de Maringá e mais tarde se aposentou como zeladora do Colégio Estadual João XXIII. Foi grande líder política na época, fazendo campanha eleitoral para muitos políticos importantes de Maringá.
Angélica Evangelina de Souza, chegou em Maringá em setembro de 1946. Teve 13 filhos, sete vivos. Trabalhou no primeiro hospital de Maringá. Tinha o dom de produzir textos, sendo procurada pelos amigos para elaborar cartas e poesias, que eram escritas por outras pessoas, uma vez que Angélica era analfabeta, mas tinha a noção de pontuação e ortografia. Também sabia fazer contas de matemática sem usar papel ou calculadora , sendo que chegou a ensinar várias pessoas a fazer cálculos de porcentagem. Angelina também deu aulas de religião por muito tempo.
Patrícia Merlin
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Informe.
Lançamento!
Centro de Parto Normal Intra-Hospitalar
Sinopse
Este livro é destinado a instituições e profissionais da saúde que almejam treinamento para trabalho em equipe com assistência humanizada à mulher e ao recém-nascido durante o trabalho de parto, o parto e o nascimento em Centro de Parto Normal Intra-hospitalar (CPNIH). O curso visa auxiliar profissionais a organizar um CPNIH, sugerindo e orientando a implementação dos Dez Passos para o Sucesso do Parto e Nascimento. Este manual foi desenvolvido com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde para uso da tecnologia apropriada ao parto e ao nascimento e deve ser visto como um importante instrumento para multiplicadores da assistência humanizada.
Dados técnicos
Autores: Anatália Lopes de Oliveira Basile, Monica de Souza Bomfim Pinheiro e Newton Tomio Miyashita.
ISBN: 9788577280056
1ª Edição
Ano: 2007
Páginas: 288
Formato: 14 x 21 cm
Especialidade: Ginecologia & Obstetrícia
Preço: R$49,00
Sobre os autores...
Anatália Lopes de Oliveira Basile
Doutora em Ciência pela Universidade Federal de São Paulo da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM);
Especialista em Enfermagem Obstétrica pela UNIFESP-EPM;
Presidente da ABENFO (Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras) Seção SP;
Coord. do curso lato sensu em enfermagem obstétrica da UNASP;
Encarregada Técnica do Centro de Parto Normal do Hospital Geral de Itapecerica da Serra/SP;
Assessora técnica da saúde do município de Itapecerica da Serra/SP.
Mônica de Souza Bomfim Pinheiro
Mestranda em Pediatria pela Faculdade de Medicina da USP
Especialista em Pediatria e Neonatologia pela SBP
Membro do comitê de Neonatologia da SBP de SP
Médica Pediatra pela Universidade Federal Fluminense (UFF)
Médica responsável pelo método mãe-canguru do Hosp. e Maternidade Interlagos/SP
Chefe da neonatologia do Hosp. geral de Itapecerica da Serra/SP
Newton Tomio Miyashita
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO
Médico Ginecologista-Obstetra pela PUC-Campinas
Especialista em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde pelo CEAHS-PROAHSA da EAESP-FGV
Perito em Obstetrícia e Consultor em Humanização do Parto e Nascimento para terceiros países pela Japan Intern. Coop. Agency
Membro da Equipe Médica responsável pela maternidade do Hosp. Santa Catarina/SP
Membro da Câmara Técnica de Saúde da Mulher do Conselho Regional de Medicina de SP (CREMESP) 2002-2004
Chefe da Ginecologia e Obstetrícia do Hosp. Geral de Itapecerica da Serra/SP
Colaboradores:
Daisuke Onuki ¿ Educador em Saúde /Agência de Coop. Internacional no Japão
Janine Schirmer - Consultora da área técnica da saúde da mulher do Ministério da Saúde e Livre-docente do Depto. De Enf. Obstétrica da UNIFESP-EPM.
Luana Ap. Mendes Marinho Valentim Candido ¿ Especialista em Gestão de Negócios e Tecnologia (IPEN-USP), Bacharel em Adm. de Empresas (FECG-SP), graduanda em Fisioterapia (UNIBAN).
Solange Ap. da Silva Lamon ¿ Especialista em Saúde Pública (USP), especialista em psicologia junguiana (FACIS), especialista em Adm. Hospitalar (UNAERP), psicóloga (UNISA), diretora Técnica de
Divisão do Ambulatório do Hosp. e Maternidade de Interlagos/SP.
Yendis Editora Ltda
Depto. Comercial
(11) 4224-9400
comercial@yendis.com.br
Patrícia Merlin
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09/05/07
GAPP - Gesta Maringá - Maringá/ PR
CONVITE!!!!
O Grupo Gesta Maringá apoiado pela Parto do Principio, convida você para participar da reunião do próximo dia 12/05/2007.
Vamos nos mobilizar para APOIAR a Semana Mundial do Nascimento Respeitoso 2007 a realizar-se de 07 a 13/05.
Venha assistir vídeos sobre parto e conversar sobre as suas expectativas e desejos relativos ao parto e nascimento.
Divulgaremos os 10 passos pelo Nascimento Respeitoso.
Por favor, confirme sua presença até sexta-feira (11/5) pelos fones 3028-0415 e 8415-46328, ou por e-mail.
Gesta Maringá
Rua Néo Alves Martins, 536
Vila Operária - Maringá
Casa do Voluntário
9h.
Patrícia Merlin
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08/05/07
Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento
Em comemoração a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento, a Rede Parto do Princípio, representada por Patricia Merlin em Maringá, elaborou uma carta e um questionário, que serão enviados às maternidades locais, no intuito de levantar informações a cerca da atuação e preparo das maternidades para atender a nova demanda de mulheres que vêm se informando sobre gestação e parto e por conseguinte, exigindo seus direitos.
Sobre a semana:
Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento 2007: a gente apóia essa idéia!
A Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento (www.smar.info), iniciativa da Associação Francófona pelo Parto Respeitoso (¿Alliance Francophone pour l'Accouchement Respecté¿ - www.afar.info), é celebrada anualmente, desde 2004, durante o mês de maio em diversos países. Este ano, se realizará de 7 a 13 de maio e terá como tema para as ações o ¿Nascimento Respeitoso¿, título inspirado no selo de qualidade promovido pela Coalizão para a Melhora dos Serviços de Maternidade (Coalition for Improving Maternity Services- www.motherfriendly.org), a partir de Iniciativa Amiga das Mães e Bebês (Mother-Baby Friendly Childbirth Initiative).
Além da segurança física básica, a segurança emocional e psíquica é a outra condição essencial para assegurar que o processo do parto e do nascimento permaneça um evento fisiológico e não médico, preservando, assim, para as mulheres e seus filhos, seus aspectos íntimos e civis. Dessa forma, esse ano, três aspectos serão enfatizados durante a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento:
·a necessidade de qualidade, em um momento em que as maternidades passam por pressões para priorizarem o lucro;
·a quantidade e a qualidade dos serviços prestados pelos profissionais, aspecto diretamente relacionado com a qualidade do atendimento ao parto e nascimento;
·o respeito pela escolha do local de parto e nascimento pela mulher e seu companheiro.
No que tange a realidade brasileira, no âmbito da atenção materno-infantil, os índices de cesarianas ultrapassam, e muito, os limites ideais propostos pela Organização Mundial de Saúde (OMS); a rotina hospitalar utiliza práticas prejudiciais ou ineficazes que devem ser eliminadas, ainda de acordo com a OMS; as leis que visam dar suporte emocional e psicológico às parturientes não são plenamente respeitadas, a exemplo da Lei do Acompanhante (Lei 11.108/2005, Lei 8.080/1990).
Para a Parto do Princípio (www.partodoprincipio.com.br), a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento (SMRN) será uma ocasião para reafirmar publicamente que a reprodução humana é um fato social em primeiro lugar; que o ponto de vista médico-hospitalar não deve ser a única referência uma vez que 80% dos partos não requerem intervenção médica (OMS); que a mulher deve ser informada e consultada acerca de todos os procedimentos que poderão ser realizados e deve ter suas escolhas respeitadas, tendo seus direitos assegurados, inclusive no que diz respeito ao local onde quer parir, seja em casa, na casa de parto ou no hospital, no apartamento ou no bloco cirúrgico; que os profissionais devem ser preparados para prestar um atendimento adequado e humanizado, nos termos do Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN) do Ministério da Saúde, por exemplo.
Enfim, este é um momento para refletirmos sobre esses tópicos e questionar médico(a)s, enfermeiro(a)s, pediatras, hospitais, maternidades, Municípios, Estados e nós mesmos sobre o que queremos para nós e para nossa sociedade. São questões de cidadania, de direitos, de respeito ao próximo, de informação, de educação. Será uma época especialmente destinada para levantar a discussão e propagar informações acerca de como lidamos e como poderemos lidar com o parto e com o nascimento no Brasil.
Participe!
Divulgue a SMRN e suscite discussões sobre o tema no seu círculo de amizade, no trabalho, na família, nos meios de comunicação;
Leve informação às usuárias, gestantes, mães e consumidoras dos serviços de saúde;
Promova palestras, eventos e/ou conferências com indivíduos, grupos, Ongs, associações, profissionais e instituições;
Organize ações em rede, criando parecerias com outras instituições;
Oficialize a celebração com apoio do governo/órgãos governamentais locais e nacionais;
Disponibilize links e documentos ligados aos temas em sites relacionados;
Traduza o material disponível;
Mobilize-se!
Patrícia Merlin
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Dicas Para Quem Vai Dar A Luz
Servem para parto natural, hospitalar, domiciliar, em Clínicas de parto ou mesmo uma cesariana.
Parto não Institucional:
Um parto fora do hospital, apesar de ser um acontecimento não muito comum, não é algo assim tão extraordinário. Afinal, muitos dos nossos pais nasceram em casa. Em um passado não muito remoto, este era o meio mais comum de se vir ao mundo, por exemplo: na cidade de São Paulo, em 1958 cerca de 55% dos partos foram domiciliares. Em muitos lugares do Brasil ainda se nasce assim (regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste) onde existem poucos hospitais, ou é muito difícil o acesso a centros terciários de atenção a saúde. A ressalva é que nestes casos o parto geralmente é realizado por matronas, ou parteiras tradicionais..
Depois (década de 60) veio a modernização!! A tecnologia! A produção em série, que infelizmente também acabou contaminando a saúde. Não que isto em si seja ruim, mas que acaba relegando ao descrédito muitos elementos que são benéficos a humanidade. Aliás o homem moderno sofre dos efeitos deste processo, onde temos um desenvolvimento tecnológico cada vez maior em detrimento da perda da qualidade humana, um homem agressivo. Mais tecnologia e menos segurança social, menos felicidade. Junto com a moda do modernismo, onde o que o melhor é o que é mais novo, passou-se a nascer nos hospitais. Lá é que é seguro! MODERNISMO. A televisão é o veículo homogeneizador. Um liqüidificador do pensamento da sociedade. Mas será que tudo o que é mostrado às pessoas é verdade? Será que todos estão contentes com estas mudanças?
Parece que não! O mundo desenvolvido, tanto nos centros desenvolvidos dos países do terceiro mundo como nos países de primeiro mundo, assiste a um certo retorno ao verde, ao primitivo, ao natural. Em todos os lugares temos lojas de produtos naturais, nos supermercados, nas farmácias. Todos querem ter plantas vivas em suas casas. A homeopatia se expande em progressão geométrica, pelos seus resultados e não pela propaganda. A acupuntura também adquire cada vez com mais adeptos. Em vários países são proibidos aditivos alimentares artificiais, corantes, etc., particularmente nos Estados Unidos, onde se constatou a toxicidade de vários elementos.
O "movimento Leboyer", na década de 70, desencadeou a luta por um parto mais natural no mundo inteiro. Porque um poeta que lançou ao mundo imagens e conceitos em forma de poesia (não de experimentos "científicos" provocou uma revolução tão grande?
Em muitos países desenvolvidos aumenta o interesse em se dar à luz no próprio domicílio, principalmente nos EEUU, Inglaterra, Austrália e França. A Holanda tem hoje em dia cerca de 35% de todos os nascimentos no domicílio, e com uma das menores taxas de mortalidade infantil da Europa, e a menor inflação de toda a Europa! (sem contar o melhor rendimento entre o capital investido na saúde e a melhoria dos resultados perinatais...)
Por que estas pessoas estão preferindo tal caminho?
Por que um casal iria preferir um parto desta maneira, sem intervenção, sem drogas, sem anestesia, em uma posição "primitiva" , e as vezes na sua própria casa?
A resposta é complexa e os motivos são variados e pessoais. Mas temos visto, entre muitos, que alguns querem desfrutar da atmosfera tranqüila e já bem conhecida do próprio lar, sem luzes ofuscantes, sem cheiros estranhos, tendo ao seu lado somente pessoas que já conheçam e com as quais possuem um laço afetivo (em vez de profissionais da enfermagem, que aguardam o fim de seu plantão para poder ir descansar, e com quem nunca travou nenhum conhecimento). Outros querem a possibilidade de ficar com o bebê após o nascimento o tempo que for possível, e não entregá-lo a um pediatra antes de tocá-lo, vê-lo, senti-lo, e depois poder dar um banho morno, prazeroso e demorado. Curtir o nenê que acabou de nascer!. Outros não querem o atendimento massificado dos hospitais, onde serão um número a mais, a paciente do 314, ou o bebê numero 597.
Interessante lembrar que GRÁVIDA não é paciente, pois não esta doente, apenas vai de um bebê. É portanto uma PARTURIENTE.
Outras mulheres tem medo de hospital, ou entrar nele implica na lembrança de ocorrências passadas mui desagradáveis suas ou familiares (abortamentos, cirurgias, acidentes, contaminações hospitalares) ou a perda de pessoas próximas queridas.
Alguns casais querem ter um parto dentro d'água, modalidade esta que ainda não possível em hospital no Brasil (ou muito raramente) e preferem ter sue bebê no domicílio. Algumas temem por infeção hospitalar. Outras fazem questão da presença constante do marido,(e por que não participação?) raramente permitido em muitos hospitais.
O pressuposto comum destas motivações é que o parto não é uma doença, salvo em gestações de risco. É um fenômeno fisiológico. Acreditamos que cerca de 40 % dos partos possam ocorrer fora do hospital, seja em casa de parto ou nos domicílios, conquanto que atinjam determinadas condições de seguridade.
De qualquer maneira a decisão final vai ser tomada SOMENTE QUANDO SE ENTRA EM TRABALHO DE PARTO, mesmo com condições propícias de um pré-natal normal. Neste momento se examina a parturiente, se escuta o batimento do coração do nenê através de um aparelho chamado "Doppler" durante várias contrações, se avalia as condições da mãe, de pressão arterial, dilatação do colo uterino.
Na verdade há um protocolo para ser aplicado no pré-natal no sentido de reconhecer gestação de risco, que possa necessitar de intervenção ou assistência especializada:
-crescimento uterino (bebê) nem muito grande (maior que 4.200) nem muito pequeno (pode ser sinal de insuficiência placentária ou outra patologia).
-nunca ter tido uma cesariana (fator relativo, não absoluto)
-pressão arterial normal (também relativo)
-apresentação cefálica
-gestação a termo (entre 37 e 41 semanas) antes ou depois desta época deve-se discutir com o casal os prós e contras de todas as opções
Além disto a anuência TOTAL do marido é condição fundamental. Portanto é necessária a discussão prévia entre o casal e depois complementar com informações médicas, se necessário. É claro que existe um RISCO. Como também existe em um parto no hospital. Todo parto é potencialmente um momento de risco. É importante que este seja assumido por TODOS. Ainda não sabemos qual dos dois é o de maior risco, se o hospitalar ou domiciliar, para casos específicos.
Acreditamos que ambos tem suas indicações, portanto o parto em casa não é o melhor, mas é bom para aqueles que o julgam bom. Outros casos vão ter contra-indicação médica para ocorrer em casa, para estes o parto hospitalar é o melhor.
Pensando bem, o bebê é o fruto de um ato de amor e isso não se faz ou acontece em qualquer lugar, e diríamos, requer certos preparativos e condições. É preciso uma atmosfera..., atração, intimidade..., privacidade... sem ruídos (barulho de outros filhos) ou cheiros estranhos, ninguém olhando ou presenciando. No início apenas toques, sensualidade e poucas palavras. Olhares interpenetrantes. O instinto falando mais forte que a razão. O parto também deve e pode acontecer envolto nos mesmos predicados e adjetivos, adicionados do respeito ao bebê.
O parto é um fenômeno da esfera sexual, onde afloram elementos do mais profundo inconsciente. Instinto puro. Animal. Portanto é preciso não coibi-lo para que este elemento instintivo se manifeste. A palavra chave é LIBERDADE. Liberdade de expressão, de movimento, de poder deixar-se acontecer.
A parturiente pode querer gritar, sem ficar encabulada ou com a sensação que se está incomodando alguém ao lado ou contrariando uma regra, como em muitos hospitais é proibido (ou incomoda) gritar. Poder assumir a posição que for mais confortável para ela nos diferentes momentos. Poder ficar sem roupa na frente das pessoas sem sentir vergonha, afinal já são pessoas conhecidas, e o parto é um momento onde a mulher, quando ensimesmada, age mais livremente.
Algumas pessoas quando viajam ficam dias e dias sem evacuar, pois o intestino só funciona na própria casa. Não seria o parto um fenômeno mais complexo do que o funcionamento do intestino? Eu conheço pessoas que ficam uma semana sem evacuar quando estão fora de seu ambiente de referência, seu lar.
Um anel muscular que não se abre em situação de adversidade, sem se sentir a vontade.
Trazendo isto para o parto, não poderia haver uma coibição do processo de abertura do colo, por se estar em um "terreno estranho", em um ambiente hostil para a parturiente como o é o hospital para muitas pessoas?
Muitas cesarianas ocorrem porque o colo não dilatou, Sendo o colo um anel, um orifíco, que vai se abrir aos poucos também, será que sua dilatação não estaria sujeita à influência de fatores psicogênicos?
Diz-se que quando uma pessoa está tensa ela contrai os esfíncteres, será que em um ambiente não hospitalar este processo de dilatação não ocorreria mais facilmente? Um ambiente onde a mulher se sentisse mais a vontade, mais segura.
Poder ficar com o bebê em contato pele a pele logo depois do parto, o tempo que quiser, é realmente um privilégio. Olhar dentro dos olhos, levar ao seio caso ele queira sugar algo (o que vai ajudar a eliminação da placenta e diminuir a perda sangüínea) também o são. Durante a espera dos 9 meses, muita comunicação indireta, telepática, planos de carinho, pensamentos, se fizeram, e, acabariam frustados caso não seja possível este contato direto com o recém nascido, como acontece na maioria dos hospitais, onde o bebê é levado para ser examinado, e na volta a mãe da uma "olhadinha" para o seu bebê que vai ficar em observação por 3-4 horas em berço aquecido.
Os primeiros instantes após o nascimento são fundamentais para a criação de uma ligação. Chamada em inglês de "bonding". Um elo. Laços profundos se estabelecem. Portanto acreditamos que o melhor lugar para um recém-nascido ficar é o colo, a barriga da sua própria mãe, que normalmente é a pessoa maior interessada no bem esta do bebê.
Já foi observado que se anestesiamos uma carneira logo após dar à luz, ao acordar, ela não reconhece seus filhotes como seus. Elas os renega. Esta identificação, esta troca de olhares, fluidos, cheiros, parece ser muito importante. Certa feita uma jaguatirica deu a luz em Campinas, interior de São Paulo, no zoológico do Bosque dos Jequitibas, e o maior cuidado tomado era não tocar na cria, em hipótese alguma, pois se a mãe sentisse algum outro cheiro que não da sua cria, ela abandona a cria, deixa de reconhecer como sua.
E porque também não lembrar a figura do pai, que antigamente ficava na sala de espera aguardando acender a luz azul ou rosa, qual seria a importância de ver e participar do nascimento do seu próprio filho?
Vemos que é mui prazeroso e agradável para o bebê que chega tomar um banho após o parto. É relaxante. A água deve ser morninha, na temperatura do corpo. Não precisa pressa. Ele adora e sorri em retribuição. Freqüentemente abre os olho e tenta "reconhecer" o ambiente. Geralmente está cansado, não deve ser fácil nascer. Este procedimento pode ser realizado pelo pai, enquanto a mãe recebe os cuidados pós parto, além de ser bom para o homem presenciar o esforço que exige um parto de sua esposa.
Para a mamãe o parto também não é fácil. Principalmente se não houve uma preparação durante a gravidez. Preparação tanto física (condicionamento) como preparação específica para o parto. Deve-se fazer exercícios durante a gravidez, principalmente de alongamento; ficar na posição de cócoras em atividades cotidianas como conversar, assistir televisão, etc.. A natação, por exemplo, melhora o corpo inteiro; a yoga ajuda tanto no alongamento como no treinamento de respiração e na capacidade de concentração.
A respiração é fundamental! Se estiver automatizada (pela repetição) quando chegar o parto saberá tranqüilamente como proceder. A respiração de "cachorrinho" deve ficar para o fim do período de dilatação ou para o expulsivo propriamente dito.
Dar à luz é como escalar uma montanha, além do treinamento físico, obstinação, se não souber administrar o gasto de energia durante o percurso não se atinge o alvo...
Outro recurso que pode ajudar é o Tai-chi chuam, coopera no centrar-se. Caminhar todas as manhãs, começando com um percurso pequeno e ir aumentando gradativamente até atingir 1.500 m, isto massageia o pé e evita o inchaço, ajuda no retorno venoso, tanto a mulher descalça ou com um calçado de sola resistente - não de borracha.
A alimentação deve ser a mais natural possível, evitando-se principalmente o açúcar e todos os alimentos que o contenha (refrigerantes, sorvetes, etc.). Evitar enlatados. Dar preferência pela manhã às frutas, sucos e cereais. As refeições devem ser precedidas de uma boa dose de alimentos crus (saladas). Evitar oleosos, muito óleo na comida, frituras, etc., pois além de não fazer bem para o fígado, também vai deixar sua pele muito oleosa.
Para que se escute a música que somente fizer bem no momento do parto, pode-se gravar uma fita com antecedência, escutá-la na gravidez, e particularmente durante parto. Preferencialmente músicas que a mãe sinta que o bebê ficou bem, tranqüilo, calmo. Algumas experiências revelam que se, após o parto, o bebê estiver meio agitado, colocando-se estas músicas que escutava durante a gravidez acalma-se de pronto.
Quem vai estar presente? A resposta é bem particular. Não há regras. Há mães que gostariam de festa, gente por perto, massagem, confete... outras podem preferir só a presença do marido e da equipe médica e não ser incomodada com nada, ficar na dela....
Se escolher alguém, procure quem já lhe conhece bastante, que lhe trás segurança, e se for mulher, que tenha tido uma BOA EXPERIENCIA DE PARTO, o que de partida já contra-indica quase a maioria das mães.
Outra coisa que não se deve tirar da cabeça é que a decisão REAL do local do parto é quando entrar em trabalho de parto, e mesmo assim se houver fatores que determinem um transporte para o hospital, ele será feito a tempo, isto é antes que ocorram complicações. Por isso deve-se ter a mente aberta para o desenrolar não ser como o ideal previsto, pois O DETERMINANTE DAS DECISOES É A SEGURANÇA DO BINOMIO MATERNO-FETAL, aceitamos a frustração mas não a decepção.
A EQUIPE deve ser escolhida com carinho. Deve-se conhecer outras pessoas que já tiveram partos com esta equipe, procure informações na Internet sobre o tipo de parto que você esta escolhendo.
No caso de realmente optarem pela experiência do parto não-hospitalar, primeiramente deve-se imaginar como tudo vai acontecer, onde gostaria de ter seu bebê, e fazer todos os preparativos necessários. Se optar pela sua casa, escolher o "cantinho" onde o bebê vai nascer, colocar um colchão no chão, almofadas..., um abajur com luz azul ajuda a relaxar. Por volta da 37a semana fazemos uma visita preliminar ao seu lar, onde discutiremos os detalhes não abordados nesta comunicação. Caso prefira tê-lo na Clínica, visite o lugar, tenha uma experiência de aromaterapia, desfrute da banheira enquanto grávida, e deixe claro que esta é a sua opção.
O que fazer para um parto em Casa de Parto?
É conveniente ir preparando os itens e colocando em uma bolsa ... e deixá-la PREPARADA a partir das 37 semanas e NÃO DEIXAR PARA O DIA DO PARTO...
-Lençóis de sua preferência, somente se você quiser (trazer no caso de querer usar algum que seja de vocês) Neste caso devem ser bem lavados e passados a ferro quente (para diminuir chance de contaminação), guardá-los em um saco plástico para não pegar pó.
-Fraldas de pano, mais ou menos 10, poderão ser usadas na mãe e no nenê. Ajuda na limpeza do sangue.
-Pacote de fraldas descartáveis (não dá para não usar...) para recém nascidos. Procurar as que possuem menos substâncias químicas, menos cheiros.
-Absorventes grandes para depois do parto, sangramento é bem maior que uma menstruação.
-Saída de banho para O CASAL. Para o papai também um short de banho, pois muitas vezes ele vai ajudar a mãe no chuveiro, ou entrar na banheira.
-Sandálias de borracha para o banho e proteção contra o frio para depois do parto.
-Meias grossas para aquecer os pés da mamãe. NÃO ESQUECER 2 pares (um pode molhar)
-Necessaire com intimidadas para banho...
-Abrigo de ginástica para se usar durante as contrações. Particularmente no inverno.
-Uma toalha para se pegar o bebê do colo da mãe após o parto (que será previamente aquecida). Não esquecer do cobertorzinho para embrulhar depois do parto.
-Separar a primeira roupinha do bebê ( o pai que deve vestir o nenê) e uma roupa para a mamãe depois do parto. É sempre bom trazer mais de uma muda de roupas para ambos.
-Medicamento para após o parto: Arnica CH6 (em gotas), que ajudará no alívio da dor e apressará a recuperação e o aleitamento. Pode-se tomar a partir de 38 semanas, 3 gts 2 ou 3 x/dia até o parto. Depois do parto, normal ou não, tomar 3 gts cada hora por 2 dias, mais dois dias tomando cada 2 horas e depois seguir tomando cada 3 ou 4 horas mais 10 dias.
-Deixar alguém contatado para ajudar nos serviços domésticos na primeira semana é muito oportuno - particularmente para quem não tem ajuda de familiares. Pode-se deixar comida congelada para esta primeira e difícil semana.
-Caso você já tenha outro filho e não quer que ele participe, deixe engatilhado quem vai cuidar dele... mas pode participar se vocês quiserem
-Não esqueça do filme novo para a câmera fotográfica, não deixe para última hora. Prefira filme de 24, com 400 ASA, para usar menos flach
-Se quiserem que o parto seja filmado é bom contatar alguém que possa fazer como profissional, ou usar alguém da própria equipe de atendimento
Para o partos em casa:
· Em época de frio, 1 ou 2 aquecedores são indispensáveis, inclusive para manter o bebê aquecido depois do parto, e para o ambiente onde vai nascer. Prefira ter em casa o aquecedor que não desidrata.
· Para a limpeza do cordão umbilical sugerimos álcool a 70%, cotonetes limpos, que deve ser seguido da aplicação de leite da própria mãe.
· Plástico para revestir a cama onde a mamãe vai deitar depois do parto, para o sangramento não manchar o colchão (pode ser um sanito grande cortado e aberto ou especial para o parto)
· Banheirinha para se dar banho no bebê (de preferência portátil) para se levar no local onde vai nascer. Neste banho não é necessário usar sabonete, a intenção não é limpar, mas brincar, acarinhar, descobrir, tocar, olhar nos olhos, sentir o riso, etc. Deixamos o vernix (aquela gordurinha branca grudada no corpo do bebê) pois hidrata e protege a pele ) Atualmente existe uma banheira especial para o esta situação, que é o Tummy Tub, com excelente resultados para o bebê.
· Uma banheira ou banheiras de plástico para poder ficar dentro durante as contrações, ajuda a aliviar as dores mesmo para quem não pensa em ter o bebê dentro d'água (também temos).
· Abajur de luz fria ou de lâmpada de 100 w, para se iluminar o períneo. É bom ter lanternas para o caso de faltar luz.
· 1 ou 2 supositórios de glicerina, que podem ser aplicados assim que as contrações se iniciarem (opcional), caso o intestino não tenha funcionado satisfatoriamente nas últimas 12 horas - ajuda a esvaziar a ampola retal e não complicar no momento do parto. Algumas mulheres preferem um FLEET ENEMA.
· Após o parto uma refeição leve e energética faz muito bem à recém-mãe, pode-se até preparar antes e deixar congelada, ou algo semi-preparado...(sopa de legumes, canja de galinha, missoshiru, etc...)
Lembre-se, esteja sempre preparada para que as coisas saiam diferente do programado, para que não haja frustrações e possa se aproveitar do que aconteceu. A CESARIANA, caso seja necessária, não deve ser motivo de sofrimento.
Por
Adailton Salvatore Meira
Médico Especialista em Parto na Água
Patrícia Merlin
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23/03/07
Nenhum TP.
Os últimos relatos foram sucintos e sem graça, por que é assim que tenho sentido os dias de voluntariado.
É tão difícil manter uma postura positiva num ambiente inóspito!
Eu vejo tanta coisa estranha, sinto tanta vontade de falar com as pessoas sobre suas condutas, de abrir a cabeças daquelas mulheres e fazê-las entender que muito do que elas podem ter de bom, depende também da postura delas frentes às coisas...
Suga a minha energia... Mas não me faz querer desistir. Só me deixa um pouco melancólica...
Patrícia Merlin
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20/03/07
Acompanhei o GO no cursinho de gestantes da Unimed.
Era pra eu ter me apresentado, mas ele estava tão empolgado que ultrapassou o tempo destinado à aula sobre parto. Mas ele falou do trabalho das doulas e mencionou meu nome também. Deixei cartões meus e marcadores da parto do Princípio para todas elas.
Boas notícias: o discurso dele é impecável. Sinto até uma ponta de orgulho ao ouvir... E ele ainda é muito engraçado, professor de cursinho, sabem como é?
Patrícia Merlin
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16/03/07
R., internada desde o dia anterior, TP prematuro. Colocaram soro, mas não teve efeito. Ela dormiu umas 3 horas seguidas e decidiram tira-la da sala de TP e coloca-la num quarto comum. Soube que fez uma cesárea no dia seguinte.
D., TP latente, com soro. Sem evolução, retiraram o soro e as contrações pararam por completo. Não soube a evolução.
Patrícia Merlin
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09/03/07
J. , assustada, querendo cesárea, com a mãe simplória, conversa básica, evolução rápida. Não entrei no CC, ela ficou ótima depois.
N., internada por PA, não estava em TP, recebeu soro, não teve contrações, vim embora sem saber o desfecho.
Patrícia Merlin
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02/03/07
A., TP latente, assustada com o desconhecido, não tinha ninguém que pudesse ficar com ela. Conversamos muito, sobre a gestação, sobre os medos dela, sobre como são os TP¿s e ela dormiu, não acordou até a hora que fui embora.
Patrícia Merlin
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Humanização disponibiliza direitos
Segundo a professora universitária e enfermeira obstetra Daise Serafim, ao longo do tempo o parto normal deixou de ser encarado como um processo fisiológico e passou a ser visto como algo patológico. Para Daise, a insegurança das mulheres por conta da dor provoca o medo, que por sua vez, se transforma em origem da dor.
"A mulher começou a encarar o parto apenas como uma coisa dolorosa. A partir de certa época, as mulheres que tinham dinheiro passaram a preferir o parto cesáreo, para não sentir dor. Essa realidade que estamos vivendo agora é cultural", diz.
Há cerca de quatro anos, foi criada no HU uma comissão multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais, para discutir a melhoria da assistência obstetrícia no hospital. Com isso, foi instituído o parto humanizado, que respeita a fisiologia do ato e o direito de escolha da mulher sobre todos os procedimentos que envolvem o nascimento.
"No parto humanizado, nós respeitamos as escolhas da gestante e orientamos para que ela seja ativa, e não passsiva, no momento de dar à luz. Alguns profissionais já estão sensibilizados, mas ainda há muita resistência. As mulheres precisam ser informadas sobre seus direitos. O parto humanizado é um direito da mulher".
Parto humanizado
É aquele fundamentado em:
1) assistência obstétrica baseada nas evidências científicas;
2) atendimento baseado na relação de parceria e respeito entre médico e gestante;
3) visão do parto como fenômeno fisiológico (e não médico);
4) parto conduzido pela mulher, que segue seus instintos naturais, sua necessidade e a liberdade de movimentos e expressões.
http://www.odiariomaringa.com.br/noticia.php?id=326644
Tabus desafiam médicos
O médico ginecologista Nelson Shozo Uchimura, coodenador do projeto de parto humanizado do Hospital Universitário (HU), disse que no Brasil, o conceito de parto normal está associado a um procedimento de dor e que, por isso, é difícil convencer uma gestante a fazer a opção por ele. "Sou defensor do parto normal, mas muitas pacientes resistem a ele. Essa questão está enraizada. Estamos tentando reverter as estatísticas", diz.
Uchimura avalia que a falta informação das gestantes também contribui para a preferência pelos partos cesáreos. "Somado à resistência das mulheres, há também a questão dos médicos. Muitas vezes eles preferem fazer a cesariana, que dura em média um hora. Já o traballho de parto normal leva de oito a dez horas", explica.
Uchimura conta que na maioria dos hospitais particulares, as salas de parto normal estão desativadas. "As unidades privadas não investem no procedimento natural, nem em infra-estrutura, nem em pessoal especializado", afirma.
O ginecologista Rui Fernando Bertolino Junior, que trabalha em hospitais públicos e privados, confirma que na rede particular há uma incidência maior de partos cesáreos. "O índice de procedimentos normais nos hospitais particulares é bem baixo. Mas é preciso cuidado para não culpar os médicos por esta situação, que é cultural e faz parte de todo um sistema", avalia.
Bertolino também apela para a falta de informação das mulheres, quando se trata de escolher o tipo de parto. "Na operação normal, a mulher também pode fazer uso de anestesia peridural ou uma analgesia. Não é preciso pensar que a paciente vai sofrer dores horríveis. Há muito mito em volta do sofrimento do parto".
VANTAGENS DO PARTO NORMAL
- não há risco cirúrgico
- a recuperação da mulher é rápida
- o risco de infecção é menor
- oferece condições físicas para que a mulher exerça a função de mãe sem empecilhos pós-operatórios
- o corte do períneo pode ser evitado
http://www.odiariomaringa.com.br/noticia.php?id=326643
Patrícia Merlin
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Triagem Neonatal
A triagem neonatal - conhecida popularmente, em todo país, como "Teste do Pezinho" - é feita por meio de um exame de sangue colhido na primeira semana de vida do recém-nascido. A detecção precoce de doenças congênitas, associada ao tratamento adequado, evitará seqüelas a seus portadores, incluindo a deficiência mental. Desde 1990, a realização de exames de triagem neonatal é direito de todo brasileiro, assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em 2001, o Ministério da Saúde ampliou a abordagem da questão e criou o Programa Nacional de Triagem Neonatal no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta prestação de assistência garante, além da realização dos exames, o atendimento e o acompanhamento dos pacientes detectados no programa. Ao todo, estão credenciados 34 Serviços de Referência em Triagem Neonatal, em 27 estados.
Durante os cinco anos de implantação do PNTN, mais de 13 milhões de crianças foram rastreadas (significativamente superior aos 500 mil bebês rastreados por ano até 2001). Este número representa uma cobertura nacional média de 83,66% (dez/2005). O PNTN proporcionou, também, avanço significativo na qualidade de vida dos pacientes, pois todos os bebês com resultado triados têm a garantia de:
- confirmação diagnóstica;
- acompanhamento especializado por equipe multidisciplinar em Serviços de Referência em Triagem Neonatal;
- tratamento e acompanhamento adequados à doença detectada, através do atendimento por equipe multidisciplinar e fornecimento dos insumos terapêuticos necessários.
Desta forma, além dos casos novos detectados no programa, são beneficiados com acompanhamento nos serviços de referência todos os casos detectados anteriormente, totalizando 19.880 pacientes (*dado de 2005). Destes, 2.184 são portadores de Fenilcetonúria; 10.316, Hipotireoidismo Congênito; 6.938, com Anemia Falciforme; e 442 com Fibrose Cística.
No ano de 2005, o SUS gastou R$ 47,09 milhões com o Programa Nacional de Triagem Neonatal.
Atualmente, o Ministério da Saúde está avaliando os resultados dos cinco anos de implantação do PNTN para, em conjunto com estados e municípios, propor a implementação do programa, definindo novas ações para atingir a meta de cobertura de 100% dos nascidos vivos além de um aprimoramento quanto a diagnóstico, terapêuticas e acompanhamento de pacientes.
Prêmios Internacionais - A primeira reunião oficial de trabalho da Sociedade Internacional de Triagem Neonatal (ISNS) ocorreu em São Paulo/Brasil (1988), a convite da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Paulo, então representada pelo Prof. Benjamim Schmidt. Em 18 de setembro de 1999, numa reunião realizada em São Paulo, foi fundada a Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal (SBTN).
No último congresso da ISNS, realizado no Japão em setembro de 2006, foi entregue o prêmio Robert Guthrie 2005 ao presidente da SBTN, representando o Prof. Benjamin Schmidt . Esta homenagem é oferecida, anualmente, a um membro da Sociedade Internacional de Triagem Neonatal que tenha feito uma contribuição excepcional na área, com reconhecimento mundial.
A APAE de São Paulo, um dos 34 Serviços de referência credenciados pelo Ministério da Saúde no Programa Nacional de Triagem Neonatal, foi agraciada com o prêmio Rainha Sofia de Prevenção à Deficiência - 2006, na categoria Ibero-Americana, pelo seu trabalho desenvolvido junto ao Programa Nacional de Triagem Neonatal. A finalidade deste prêmio é recompensar um trabalho continuado - levado a cabo durante um período de tempo não inferior a dez anos - de investigação científica ou de trabalho sanitário e avaliado cientificamente, cujos resultados mereçam esta distinção.
Histórico - A Triagem Neonatal no Mundo se iniciou em 1961, quando o professor Robert Guthrie (EUA) desenvolveu a primeira metodologia simples e barata para dosagem de fenilalanina em amostras de sangue seco, colhido em papel-filtro, para o diagnóstico da Fenilcetonúria. Este passo foi decisivo na disseminação da triagem neonatal com o diagnóstico de diversas doenças em grandes populações, já que permitia que a amostra fosse colhida à distância e enviada pelo correio a laboratórios centrais, onde eram realizados os exames.
Em 1968, a Organização Mundial de Saúde publicou recomendações gerais para a Triagem Neonatal de Erros Inatos do Metabolismo e, no Brasil, a triagem neonatal teve início em 1976, quando o Prof. Benjamin Schmidt criou o projeto pioneiro de triagem neonatal, na época conhecido como Teste do Pezinho, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (APAE-SP).
Mais informações
Assessoria de Imprensa da Funasa
Tel: (61) 3314-6440/6446/6439
Fax: (61) 3314-6630
E-mail: nimp@funasa.gov.br
http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/noticias_detalhe.cfm?co_seq_noticia=28563
Patrícia Merlin
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Doulas: amigas do parto
Elas também estão no Acre.
Mas quem são essas mulheres que se ocupam do bem-estar físico e emocional da parturiente?
Andréa Zílio
É no ambiente mecanizado dos hospitais, cercadas por pessoas desconhecidas, que as mulheres grávidas, ou parturientes, vivem um turbilhão de emoções e sensações, em que a alegria de gerar uma vida convive com o medo, a dor e a ansiedade. Daí a grande importância das Doulas. Mas quem são elas?
As Doulas são mulheres experientes com a maternidade, que já passaram pela gestação, enfrentaram a dor, sabem das incertezas sentidas e são conhecedoras de exercícios que ajudam na preparação para ¿dar à luz¿, mas, principalmente, são mulheres dedicadas, simpáticas, e que sabem distribuir carinho. A Maternidade Bárbara Heliodora, na capital acreana, dispõe hoje de sete Doulas voluntárias que se tornaram grandes amigas das mães.
Essa nobre função na assistência ao parto apareceu no Brasil nos últimos anos, embora seja usada há muito tempo em países do mundo todo. O nome ¿doula¿ vem do grego ¿mulher que serve¿ e indica aquela que dá suporte físico e emocional à parturiente.
As Doulas de Rio Branco são mulheres aposentadas, com energia e disposição para ajudar, e enfrentam plantões de 12 horas por semana, tendo como único benefício além do prazer em fazer o bem, apenas vale-transporte e uma cesta-básica.
O envolvimento emocional delas com as parturientes é grande, e muitas vezes, colocam a cabeça no travesseiro no fim da noite pensando nas mulheres que ficaram na maternidade. Alguns reencontros só ocorrem nas ruas, quando as mães, já com os filhos nos braços, os apresentam extrovertidas ou tímidas, mas não menos orgulhosas, agradecendo as Doulas pela ajuda que tiveram. ¿Todo dia que estou aqui, é como se ganhasse várias filhas que estão tendo seus filhos. Me faz bem ajudar. Elas falam da vida que tem, desabafam, e a cada dia é um novo aprendizado que tenho. Ser uma Doula é uma grande responsabilidade¿, diz Maria das Graças Faria Machado, 56.
Histórico ¿ Antigamente era comum a futura mãe ser assistida ao longo do trabalho de parto por outras mulheres mais experientes, vizinhas, parentes, mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo.
Conforme o parto foi sendo tratado como assunto médico, eles foram ocorrendo basicamente em hospitais e maternidades, com a assistência de uma equipe especializada, cada um com sua função bastante definida.
Ficou uma grande lacuna: quem cuida do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e vem sendo preenchida pela doula.
No Acre ¿ Até onde se sabe, o trabalho das Doulas no Acre é recente, surgiu há um ano, por meio do Ministério da Saúde, através do SUS, em que foram convidadas diversas mulheres para participar do treinamento. Maria das Graças que faz parte do grupo da terceira idade do Sesc, decidiu participar junto a uma amiga, mas se surpreendeu.
¿Não espera algo tão grandioso. Uma equipe de psicóloga, enfermeira, médico e assistente social realizou nosso treinamento das 7 às 17h durante sete dias. Isso mostrou que se tratava de um trabalho sério e responsável¿, diz Maria.
O dia-a-dia ¿ As Doulas diariamente se apresentam às mulheres nos leitos, e no decorrer do dia as conversas se tornam freqüentes, e são nelas que percebem as dificuldades das mães, sejam psicológicas ou sociais. ¿Quando uma mãe precisa de psicólogo nós chamamos, e quando tem problema de voltar para casa, acionamos a assistente social. Somos o elo entre as grávidas e o hospital¿, comenta Graça.
A conquista também faz parte do trabalho das Doulas, pois nem todas as parturientes aceitam sua ajuda, mas aos poucos a barreia vai sendo rompida. Graça explica que só trabalha exercícios quando o médico autoriza a grávida, pois algumas fases do pré-parto não é permitido esforço físico.
Além de massagens, exercícios livres, uma bola grande serve de apoio a movimentos feitos com as grávidas. Todos eles servem para aliviar a dor, e até mesmo preparam o corpo para um parto menos doloroso.
As grávidas ¿ A maternidade Bárbara Heliodora começa a trabalhar a humanização em seu funcionamento, e a inclusão das Doulas é um passo promissor para que esse novo formato de atendimento se concretize. Uma média de oitenta mulheres buscam atendimento diariamente no local, cerca de 20 delas passam pelas Doulas.
Aos olhos das principais interessadas na existência das Doulas, as parturientes, elas são como verdadeira mães. ¿O tratamento dela com a gente faz diferença na hora do parto. E como se fosse uma mãe, porque o carinho e atenção que ela dá, é o mesmo de uma mãe¿, diz Maria Lusivânia, 21, três filhos. Outra mãe, Gecineide de Souza Vidal, 23, diz que o tratamento das Doulas faz grande diferença, e lamenta que só no terceiro parto tenha tido acesso a ajuda dessas mulheres.
Em uma realidade da vida ligeira, do contato essencialmente necessário entre médico e paciente, pela pressa e necessidade em atender todos, a humanização do nascimento é resgatado também com o trabalho das Doulas, realizando a devolução do espetáculo que é o parto.
Vantagens - As pesquisas mais recentes feitas em outros países, demonstram que o uso da Doula no parto pode diminuir em 50% as taxas de cesárea em 20% a duração o trabalho de parto em 60% os pedidos de anestesia em 40% o uso da oxitocina em 40% o uso de forceps.
Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.
http://www2.uol.com.br/pagina20/17022007/c_0617022007.htm
Patrícia Merlin
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16/02/07
Mais parto no leito!
Antes de sair de casa, eu liguei pro GO, pra saber como estavam as coisas... Ele me diz que tem uma mulher muito especial no TP, que eu devia ir até lá. Fui.
A., a mulher especial, estava no leito, sentada com perna de borboleta, agüentando firme e muito concentrada nas contrações.
Depois de me apresentar e falar um pouco sobre como eu poderia apóia-la, precisei sair do prédio para pegar um material. Quando voltei, ela disse que estava com vontade de fazer força. Saí pra checar o prontuário e falei com o GO, se ela estava mesmo com os puxos, a evolução dela tinha sido à jato.
Voltamos para examinar e o bebê estava baixinho, mais um pouco e nascia ali mesmo. Mas decidiram levá-la ao CC e o L. nasceu em duas contrações.
Depois, com ela já no quarto, fui conversar e ela estava muito feliz com o resultado. Ela fez o pré-natal no SUS com este GO e já tinha ouvido falar de mim. Ela achou que foi muita sorte ter entrado em TP no dia em que a gente atende o plantão...
Logo em seguida, entrou a
F., segundo bebê, fase latente do TP, 2cm, muito segura do processo. Ela, muito mais alta que eu, negra e forte, muito bem humorada, estava acompanhada da mãe. Nós três ficamos muito tempo conversando sobre muitas coisas da vida, foi muito agradável.
Então colocaram soro na
F. e ela passou a sentir as contrações cada vez mais freqüentes e fortes. Ela ficou em movimento, respirando com calma e sentada na bola também.
No primeiro toque que fizeram, logo depois que ela saiu de um longo e bom banho, 6cm e uma força renovada pra ela, que se sentiu toda orgulhosa de ter avançado tanto.
Ela gemia, respirava, mudava de posição e voltava ao normal... como se nada tivesse acontecido.
Mas eu precisei ir embora às 18h e não acompanhei o TP dela até o final. Deixei a bola e algumas instruções e ela seguiu o que pôde. Ás 23h recebo um torpedo do GO: parto no leito, às 20:30h.
No dia seguinte voltei lá e ela estava radiante, contando o parto dela pras outras mulheres do quarto e feliz, feliz e o menino com nome de anjo musical pendurado no peito.
Patrícia Merlin
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09/02/07
Durante o dia, o tempo voa.
A partir desta semana, eu começo a fazer meu voluntariado pelas manhãs e sigo até no máximo às 17h.
Eu achava que era tempo demais, mas durante o dia, as coisas acontecem muito rápido, é bem diferente da noite. Que estranho!
Eu tenho 3 casos pra relatar hoje.
Um, é de uma mulher que eu nem sei o nome, por que mal consegui colocar a mão nela. Os detalhes que permeiam este caso, ficarão em off, por que eu não quero falar publicamente sobre isso...
M., risadinha. Acho que nunca vou me esquecer desta moça. Ela era muito jovem e estava internada há uns dias já. O TP dela não começava, apesar dos litros de soro que tomou. E ela viu passar muita das parturientes dos últimos dias. E ela ria. Ela ria muito, de tudo. Muito engraçada... A gente conversou demais e rimos muito juntas!
Enfim, quando ao ocitocina finalmente fez efeito, as coisas andaram muito rápido pra ela. E ela parou de rir.
Como nós ficamos o dia inteiro juntas, ela se agarrou em mim como se eu fosse uma velha amiga e foi muito bom! Ela gemia, se mexia, acocorava, ajoelhava no chão. Estava muito entregue ao TP.
Não demorou muito pra ela começar a fazer força, sem ordens, instintivamente, respeitando os puxos. Ela foi levada ao CC e eu fui junto. O expulsivo não foi rápido como a evolução, mas ela não teve epsio.
A
E. assistia o desenrolar do TP da risadinha, meio apreenssiva e querendo censurar, como se dar risada nesta hora, fosse inadequado. Ela estava no início do TP, com 2cm de dilatação, mas com contrações irregulares. Tomou banho, ficou com a mãe e deitou pra descansar, já que as suas contrações permitiam.
Eu passei toda a orientação que pude e vim embora, não pude ficar até o nascimento do bebê.
Patrícia Merlin
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02/02/07
Um TP que não me quis e um bebê nascendo no leito.
Cheguei um pouco antes das 18h.
As duas mulheres no TP, vieram até a porta me olhar, acharam engraçada a moça com a bola nas costas. Carrego minha bola num elástico, como se fosse uma mochila.
Ambas estavam sem soro, caminhando, se mexendo e conversando, muito animadas.
Entrei, me apresentei e começamos a trabalhar juntas. As três no meio da sala, rebolando e falando sobre parir e nascer.
J. estava no TP do terceiro filho, os dois primeiros nasceram de PN. Ela estava muito tranqüila e feliz. Sua maior preocupação era o marido, que estava do lado de fora. De vez em quando, ela subia na escadinha da cama, pra olhar pela janela e os dois conversavam.
No entanto, apesar dela estar receptiva às dicas, trabalhar junto, ter toda a paciência, e experiência, a dilatação dela progrediu de 4 pra 5cm e ficou assim o resto do tempo, até eu ir embora, por volta das 22h.
Mas eu soube, no dia seguinte, que o bebê nasceu de PN, bem, antes da meia noite.
Casos assim me fazem pensar que a minha presença também atrapalha às vezes. E olha que no caso dela, eu quase não fiz nada, deixei ela muito à vontade, justamente por que ela estava lidando muito bem com tudo...
Ela estava tão bem, que orientava as outras mulheres do TP.
Quando eu cheguei tinha só ela e a
G. Mas uma outra menina tinha acabado de sair pro CC.
A
G., primípara, bem tranqüila também, tomou muitos banhos, reboulou, reclamou e teve seu filho no leito mesmo.
E aí o comentário da equipe: quando você está aqui, os bebês acabam nascendo no leito....
Por que será? rs
Patrícia Merlin
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26/01/07
O retorno do samurai.
Nossa, que noite agitada!
4 mulheres no TP, todas em estágio avançado, com pouca diferença entre as dilatações. Eram tantas e todas precisadas, que eu nem sabia quem atender primeiro.
Fiz uma explanação geral sobre meu atendimento e sobre o que era bom fazer durante as contrações e elas foram se acostumando comigo.
A. era a de dilatação mais avançada, mas estava confortável no leito, erguendo o tronco, respirando durante as contrações, não quis sair dali, apenas aceitou algumas sugestões de posição. Ficou de lado, ajoelhada, saiu do leito um pouco, acocorou. Mas não quis ir pro chuveiro... Na verdade quando ela quis, o médico veio tocar e ela estava com dilatação total.
R. embora com 1 ou 2cm a menos que a A., parecia precisar mais de apoio e agarrou-se em mim. Levei-a para o chuveiro, tentei acalmar um pouco os pensamentos dela, fazê-la perceber o ritmo das contrações, a respiração e tal. Ela ficava com os olhos bem abertos durante as contrações, respirando forte e reclamando às vezes: ai, moça, isso dói demais!
A mãe dela estava junto e eu tratei de passar algumas orientações pra ela. Foi muito legal ver esta senhora ajudando a filha, acalentando, jogando água na barriga e dizendo que já ia acabar.
As duas,
A.e
R. acabaram indo pro CC ao mesmo tempo, e o bebê da R. nasceu primeiro, com epsiotomia, pelas mãos do residente. As contrações da A. pararam completamente dentro do CC e o bebê nasceu com auxílio de
vácuo extrator.
Ao mesmo tempo em que tudo isso acontecia, antes que eu entrasse no CC com as duas primeiras, a
A. (outra A.) estava completamente dura, tensa, apavorada. Era um VBAC e ela não fazia a menor idéia do que era o TP, por que o primeiro filho nasceu de CE (cesárea eletiva).
A quarta mulher em TP, a
D., era muito novinha e relaxava muito entre as contrações, pulando da cama como uma gata quando elas começavam. Por isso, eu estava mais atenta à A..
Eu tentava falar com ela, mas ela sequer mexia a cabeça pra me olhar. Mas eu fui tentando, tentando, até que ela sentou na beirada da cama. Neste ponto ela parecia conseguir me perceber e eu fui muito objetiva, disse que ela precisava se soltar, que estava dura, tensa, que ia ser muito mais complicado enquanto ela estivesse assim, que doía mesmo, mas que ela podia se ajudar e etc. Finalmente ela foi pro banho e ficou bem lá. Nisso a mãe dela chegou e fez companhia no chuveiro. A mãe também estava assustada. Ela saiu e sentou num banquinho, na beira da cama dela e ficou ali, mais relaxada, respirando melhor.
Eu estava com a
D., abaixada no chão, ela de joelhos no colchonete e a
A. começou a dizer que estava sentindo uma coisa estranha, como uma bolha na vagina. Eu, na calma, dizendo que era normal, que ela estava sentindo o bebê descer, pra ficar tranqüila, mas ela insistiu:
-Moça, olha aqui pra mim, esse bebê tá nascendo!
E tava mesmo!
Pedi pra ela deitar no leito e tentar não fazer força, que estava tudo bem. Fui chamar o GO e quando ele chegou a cabecinha já tinha saído. Ele colocou o bebê no colo dela e ela simplesmente não acreditava, chorava e gritava feliz, chamando pelo bebê, perguntando se estava tudo bem, sem acreditar que tinha sido fácil, que tinha acabado.
Realmente, levando em consideração a mulher que estava prostrada e dura naquele leito, eu jamais diria que o bebê dela nasceria menos de 2 horas depois, sem nem dar tempo de ir pro CC.
A
D. dilatou total muito rápido também, quando eu cheguei ela estava com 3cm, tinha acabado de internar. Mas o expulsivo dela foi bem lento. Infelizmente, no SUS lentidão no expulsivo é sinônimo de intervenção e tivemos o segundo bebê nascido com auxílio de vácuo em uma noite.
Acho que os nascimentos tiveram um intervalo de 30 minutos cada, foi quase produção em série...rs
Eu diria que voltei com a corda toda!
Patrícia Merlin
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Doutor, como está a agenda para partos?
http://www.fbh.com.br/index.php?a=not_namidia_temp.php&ID_MATERIA=4838
(Ligia Martoni)
É cada vez mais polêmico o número crescente de cesarianas realizadas no País, procedimento cirúrgico que deve substituir o parto normal quando este oferece risco à mãe ou ao bebê. Isso porque sua banalização, como caracterizam alguns obstetras, tem feito com que médicos e pacientes se submetam a marcar a hora do nascimento com base em agendas lotadas ou à cultura de evitar a dor ou esperar o tempo do parto natural. Diante desse quadro, vale o esclarecimento: a cesariana é, antes de um problema, uma solução que tem salvado muitas vidas no entanto, é primordial que a mulher esteja atenta à real necessidade de fazer a cirurgia e o obstetra, ao que é melhor para a gestante.
Falar dos riscos da cesariana é como comentar os riscos inerentes a qualquer cirurgia, referentes à anestesia ou aos antibióticos que vêm depois do procedimento. Mas a principal função da cesariana é, em vez de trazer riscos, evitá-los. ¿Por concepção, nunca vai-se fazer uma cesariana sem necessidade. Mas sabemos que hoje, seja pela melhoria da anestesia ou pela qualidade dos antibióticos, o risco da cesariana em relação ao parto normal foi se minimizando, fato que banaliza o procedimento e permite uma ¿promoção social¿ do parto¿, afirma o obstetra e coordenador da Redução da Mortalidade Materna e Infantil da Secretaria Estadual de Saúde, Elvio Bertolozi.
A cesariana a pedido, como denomina Bertolozi, virou rotina nos consultórios particulares. Prova disso é que, no sistema de saúde suplementar (referente aos planos de saúde), 75% dos partos realizados são cesarianas já pelo Sistema Único de Saúde (SUS), este número varia entre 28% a 30%. O motivo é que, de um lado, a família acredita que a cirurgia oferece menos risco que o parto normal - o que, a menos que haja anomalias no posicionamento do bebê ou nas condições de saúde da mãe, não é verdade e de outro, os médicos estão cada vez mais atarefados e acumulam empregos em locais diferentes. ¿Hoje são trabalhadores comuns, deixaram de ser autônomos e não podem dispor de tantas horas para fazer um parto¿, avalia o coordenador.
O parto natural pode demorar cinco, oito, até quinze horas, contra os cerca de vinte ou trinta minutos usados para uma cesariana. ¿Por isso, o que estamos discutindo hoje é mudar o paradigma do atendimento obstétrico. O ideal é que se faça o acompanhamento pré-natal adequado e, no momento do parto, se houver necessidade, opta-se pela cesariana. Mas não essa situação de o indivíduo sair para fazer seu parto¿, critica.
Segurança
O médico ginecologista Moysés Paciornik destaca que o que pode dar vazão a essa cultura da cesariana é que hoje trata-se de cirurgia muito mais segura que no passado. As anestesias são mais eficientes e envolvem menos riscos, os antibióticos são mais potentes e o corte é muito menor que os de antigamente, que deixavam cicatrizes grandes. No entanto, defende, a cesariana só deveria acontecer em casos específicos, como por exemplo quando a placenta encontra-se na frente da criança quando o bebê é proporcionalmente maior que o canal de parto ou ainda quando está mal posicionado. ¿Dentro dessas circunstâncias, 95% dos partos deveriam ser normais¿, ressalta. A Organização Mundial de Saúde (OMS), porém, reconhece como razoável até 15% dos partos feitos por cesariana.
Mesmo assim, não é o que acontece na prática. ¿O Brasil é apelidado como o campeão mundial das cesáreas. Em algumas maternidades, o número de cesarianas alcança até 90% de todos os partos realizados no Paraná, inclusive, há hospitais em que as cesáreas respondem por porcentagem semelhante¿, denuncia o médico. No entanto, enfatiza, ao mesmo tempo em que tem crescido o número de cesarianas desnecessárias em todo o mundo, aumenta em proporção semelhante o número de campanhas que brigam pelo fim do exagero.
Conhecido mundialmente por defender parto natural, Moysés Paciornik é um desses entusiastas, conhecido internacionalmente por propagar a volta ao natural. O natural, nesse caso, é o parto de cócoras, adaptado dos índios caingangues. ¿Nessa posição o canal de parto abre 28% a mais que na posição deitada evita problemas com períneo e bexiga baixa, e há menos risco de lesar os músculos. É mais rápido, menos agressivo e bem menos doloroso¿, cita. Ele explica ainda que o medo de muitas mulheres relacionado ao parto europeu - o deitado, usualmente praticado -, e que as leva em alguns casos a optar por uma cesariana, poderia ser evitado se a posição cócoras fosse adotada na hora de ter o filho e praticada como exercício antes do nascimento. ¿A cócoras ajuda a criança a tomar a posição correta, evitando assim também a necessidade de uma cesárea¿, acrescenta.
Paciornik dá mais um motivo para a adoção do parto índio: ¿A cesárea é muito mais perigosa que o parto normal, matando muito mais mulheres e crianças. Oferece mais riscos de hemorragias, infecções e choques anestésicos¿. E denuncia que esse tipo de procedimento justifica os médicos no caso de complicações. ¿A cirurgia os protege. Se há problemas com a cirurgia, dizem que o profissional tentou de tudo se há no parto normal, ele é negligente e displicente¿.
Saúde pública e privada tentam reduzir cesarianas
O médico Eduardo de Oliveira, presidente da Federação Brasileira dos Hospitais, afirma que o Ministério da Saúde começou a se mexer, há algum tempo, para diminuir as percentagens de partos cesáreos feitos pelo SUS no Brasil. Algumas medidas foram tomadas para isso, como, por exemplo, a equiparação do valor pago à equipe médica pelos dois tipos de parto (na época do antigo Inamps, os honorários eram praticamente o dobro para partos cesáreos) incentivo ao aleitamento estímulo ao alojamento conjunto entre mãe e bebê e maior conscientização da população carente a respeito do parto normal. Melhorou, mas a percentagem que ronda a casa dos 30% de partos cesáreos pelo SUS ainda é maior que a praticada em países desenvolvidos, principalmente os europeus - onde essa estatística não ultrapassa os 25%.
No campo da saúde suplementar, algumas iniciativas por parte da Agência Nacional de Saúde (ANS) já convocaram os prestadores a diminuir o número de cesarianas. ¿Para as operadoras, uma incidência alta de cesáreas resulta em alto índice de uso de UTI neonatal, o que significa dizer que gastam mais dinheiro. A criança tem muito mais saúde e há menos complicações para as mães no parto natural¿, explica. Além disso, afirma o médico, o parto normal influencia no estímulo à amamentação e evita que a parte imunológica da mãe e da criança fique enfraquecida, fechando as portas às chamadas doenças aproveitadoras.
No caso da saúde suplementar, o programa de qualificação mantido pela ANS há cerca de dois anos - que pontua as operadoras de acordo com a qualidade do serviço prestado - tem como um de seus componentes de melhoria da nota a diminuição do número de cesáreas. As pontuações, no entanto, ainda não foram divulgadas.
Em meio à polêmica, ele propõe a discussão: ¿Quem é o responsável pela indicação? É o plano ou o médico que deve dizer como os partos serão? Talvez a conduta de grupo globalizada, seja de um hospital ou operadora de saúde, deva superar a conduta individual¿. Os hospitais, entretanto, preferem se abster de qualquer imposição. Primeiro, porque a receita no parto cesáreo é maior que no normal e, segundo, porque se insistir demais, compra uma verdadeira briga com sua equipe de obstetras, já que a maior parte prefere marcar o horário do parto. ¿O resultado é que ficam omissos, acumulando estatísticas que não se comparam a nenhum outro país no mundo¿. A média nacional de partos cesáreos nos hospitais brasileiros é de 75%.
Complicações levam à cirurgia
Mas quando o assunto é a periculosidade da cesariana, o coordenador estadual de Redução da Mortalidade Materna e Infantil, Elvio Bertolozi, prefere se abster das estatísticas. Isso porque, ainda que mate mais, é preciso levar em conta que a operação é realizada, em boa parte dos casos, quando há complicações. ¿Se avaliarmos pacientes boas que fizeram parto normal e cesárea, nesse caso, não há diferença de risco. Agora, no caso de pacientes com morbidade, as estatísticas mostram que a cesariana é mais presente quando mulher ou feto morrem. No entanto, não é por causa da cirurgia, mas sim por causa da doença de base¿, ressalva. Entre essas enfermidades, ele aponta as cardiopatias, doenças pulmonares e infecções, que podem interromper a gravidez precocemente e tornar a cirurgia necessária.
Para comprovar isso, ele cita que, de acordo com suas pesquisas, o risco relativo de morte no SUS é de 70 para cada 100 mil crianças que nascem no Paraná. Desses partos, 30% são cesarianas já no sistema privado, o risco relativo de morte é de 15 mulheres para cada 100 mil, sendo que 85% realizaram cesarianas. ¿Os riscos envolvem muito mais que a operação em si, incluindo aí escolaridade, nível salarial, acesso a maior número de consultas e medicamentos. Por isso, defendemos que deve haver qualidade no atendimento pré-natal¿.
O coordenador afirma que o Estado tem investigado ao longo dos últimos anos a mortalidade de mães e crianças e suas causas no Paraná. Segundo ele, os estudos definiram que é preciso aumentar o número de unidades de atenção pré-natal e o atendimento de emergência obstetrícia - as conseqüências, no entanto, devem demorar a aparecer. ¿Estamos fazendo ambulatórios de gravidez de alto risco, mas só vamos ter visão de resultado no médio a longo prazo¿.
Patrícia Merlin
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Corpo da mãe prepara bebê para o estresse do nascimento
A mãe prepara seu bebê para o estresse do parto graças a um hormônio responsável pelas contrações, demonstraram pesquisadores franceses, que prevêem as implicações de sua descoberta para a prevenção de nascimentos prematuros. O hormônio materno, a ocitocina, tem um efeito protetor e anestésico sobre os neurônios do feto, para que eles estejam prontos para enfrentar o traumatismo e/ou a falta de oxigênio inerentes ao nascimento, explicam os pesquisadores cujos trabalhos serão publicados na sexta-feira na revista americana Science.
É a primeira vez que se mostra que a mãe informa e prepara o feto para o parto graças a este hormônio, responsável pelas contrações, segundo esses pesquisadores do Instituto de Neurobiologia do Mediterrâneo (INMED). "Esses resultados", destacou Yehezkel Ben-Ari, que dirigiu o estudo, "têm implicações sobre a prevenção de partos prematuros".
Os remédios que damos à mãe para impedir as contrações e evitar um nascimento prematuro agem bloqueando o hormônio e poderiam impedir esta proteção do feto em caso de complicações. Os danos que podem ocorrer durante o nascimento afetam o desenvolvimento do cérebro do bebê.
As complicações do parto são as maiores causas de seqüelas neurológicas graves: problemas motores, retardamente mental, epilepsia. O hormônio, fabricado no cérebro materno, numa região chamada de hipotálamo, é liberado no sangue algumas horas antes do parto. "Ele age no útero, mas também nos seios, contribuindo para a saída do leite materno e estimulando o sentimento maternal", acrescentou em declarações à AFP Ben-Ari.
Ao registrar a atividade elétrica dos neurônios de ratos imediatamente antes e após o nascimento, os pesquisadores mostram que os neurônios são extremamente "inibidos", um pouco como se eles tivessem recebido uma anestesia. Ao realizar a experiência com roedores, a equipe constatou que o cérebro do recém-nascido é bem mais resistente à ausência de oxigênio ("anoxia") quando seus neurônios estão "adormecidos" graças ao hormônio materno do que quando utilizamos uma substância (como o atosiban), que impede o efeito do hormônio.
Assim, o hormônio materno prepara o feto para o parto, aumentando a resistência dos tecidos à falta de oxigênio e ao trauma do nascimento. Para os pesquisadores, esses resultados levantam a questão da inocuidade para o cérebro do bebê dos remédios utilizados durante o parto para retardar o trabalho e prevenir nascimentos prematuros. "A pouca transferência desses remédios da mãe para o feto e sua curta duração de ação são elementos positivos. No entanto, esta questão merece ser aprofundada", estimou Ben-Ari.
"O cérebro do feto não é um cérebro de adulto em miniatura, sua biologia é diferente e sua reação aos remédios também", disse. "De uma maneira geral, seria necessário levar em conta os problemas de neuro-proteção do feto", comentou, evocando outros tratamentos que podem vir a ser necessários (hipertensão, epilepsia).
Segundo os cientistas, seria desejável o desenvolvimento de remédios cuja ação se limitaria ao útero (para impedir as contrações inoportunas), sem afetar o efeito neuroprotetor do hormônio.
Patrícia Merlin
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08/12/06
Como não saber?
I. estava sozinha no TP. Grávida de 27 semanas, de um bebê pélvico e não sabia... Como é que alguém está grávida de mais de 5 meses e não sabe?
Psicológicamente é possível isso acontecer, eu sei. Mas soa estranho demais pra mim.
Enfim, o TP dela estava muito no começo e como o bebê era prematuro, ela não podia sair do leito.
O GO do meu plantão estava de saída, quem assumiria o caso seria o substituto dele, que provavelmente faria cesárea, por que o bebê estava pélvico (sentado), mesmo sendo prematuro (pequeno).
Não fiquei com ela até o final.
Patrícia Merlin
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04/12/06
Roupeiro Santa Rita
É provável que em 2007, além do trabalho voluntário na Santa Casa, eu atue no Roupeiro Santa Rita, dando palestra pra gestantes.
O Roupeiro atende mulheres de baixa renda, dando orientação e apoio durante a gestação e fornecendo o primeiro enxoval do bebê.
Patrícia Merlin
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24/11/006
Encontro de Humanização
Não fui no voluntariado, por que estava participando do 16º encontro de humanização...
Conheci muita gente pessoalmente (Dydy, Csilla, Moema, Mireillie, Ana Lúcia, Renatinha, Deny, Ingrid, ) e reencontrei outras (Thais, Cris Kondo, Lilian, Alex, Guta).
Melhor nem mencionar nomes, né? Com certeza esqueci muita gente!
Além desta turma do bem, tem os profissionais bacanas: Paciornick, Marcus Renato, Bia Fioretti, Eleanor, Daphne, Heloísa, etc...
A
Parto do Princípio também participou deste evento.
Patrícia Merlin
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17/11/06
Leoa.
Infelizmente cheguei atrasada hoje e peguei o TP da
A. bem no finalzinho, nem consegui entrar no CC com ela, por que inventaram uma tal de senha pra abrir a porta e ninguém tinha me passado ainda...
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.
Patrícia Merlin
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10/11/06
Hora de parar.
M. adolescente com a mãe e
J., obesa.
Foi uma noite difícil, não consegui atingir nenhuma das duas. A adolescente estava sofrendo demais, segundo a sua mãe e a outra estava entregue, achando que não era capaz.
No entanto, as duas evoluíram bem e pariram seus filhotes, depois que eu fui embora, exausta!
Patrícia Merlin
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27/10/06
Uma noite para exercitar os ouvidos...
M., linda história de vida, querendo ficar só, dispensou as mulheres da família que queriam ficar ao lado dela. TP latente. Depois que fui embora, no meio da madrugada, o parto no leito ao lado, a fez acordar e então o TP dela evoluiu todinho em 2 ou 3 horas e o bebê nasceu antes da virada do plantão.
Soube disso no dia seguinte, pois voltei lá pra ver como ela estava.
Patrícia Merlin
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Robô simulador de partos ajuda estudantes na Coréia do Sul
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1319323-EI238,00.html
E quando as taxas de natalidade eram altas? Será que se preocupavam em proporcionar um atendimento bacana?
As próprias mulheres têm muito mais a ensinar aos doutores do que um robô sem vida, sem emoção, sem história... tsc.
Patrícia Merlin
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A maioria das brasileiras quer um parto normal, mas não sustenta esse desejo
por falta de esclarecimentos, que leva ao medo, e desestímulo do médico.
Informar-se é a melhor saída
Um mistério ronda os partos no Brasil. Nossos índices de cesariana estão
entre os mais altos do mundo- chegam a 80% nas maternidades particulares. Só
que oito em cada dez brasileiras afirmam que querem ter um parto normal,
segundo pesquisas realizadas no país - uma delas coordenada pelo Núcleo de
Estudos Populacionais da Universidade de Campinas, Unicamp, outra pela
Universidade do Texas, ambas publicadas no British Medical Journal. O que
acontece, então, entre o desejo e a realidade? Por que apenas 20% das
mulheres conseguem realizar o sonho do parto natural? Esta equação envolve
inúmeros fatores: a desinformação, o medo da dor, as crendices como ficar
com a vagina larga, além do modismo, a idéia de que a cesárea representa um
atendimento de melhor qualidade, já que é o recurso preferido das classes
mais abastadas. Outra questão decisiva para o desfecho do parto acabar em
cesárea está nas mãos dos médicos. Os obstetras estariam valorizando as
ansiedades das grávidas em proveito próprio, por comodidade ou vantagens
financeiras. 'O modelo de saúde é que é equivocado e reforça a cultura do
medo', defende o obstetra Jorge Kuhn, professor da Universidade Federal de
São Paulo. 'A falta de conhecimento da mulher sobre o parto alia-se aos
interesses econômicos da classe médica para formar a combinação perversa que
empurra as gestantes para as cesáreas desnecessárias.' Vale lembrar que nos
outros países, mesmo os europeus onde a tradição do parto natural é forte,
registra-se um significativo aumento da ocorrência de cesarianas (veja boxe
ao lado). A explicação para o fenômeno está na 'evolução da técnica'. Hoje o
parto abdominal envolve menos riscos, é uma cirurgia mais segura do que há
alguns anos, embora, claro, continue perdendo nesse quesito para a opção
natural.
*O bolso do médico
*Apenas 20% das mulheres conseguem realizar o desejo de ter um parto
normal*
O sistema de saúde brasileiro atende a mulher diretamente na rede pública e,
por meio de convênios, nos hospitais particulares. No SUS, o médico recebe
mais por uma cesárea (R$ 387,30) do que por um parto normal (R$ 263,49). Nos
convênios, a lógica é a mesma (até R$ 600 o parto normal e até R$ 1 mil a
cesárea). 'A tendência é que os convênios paguem aos médicos o mesmo valor
para as duas modalidades', afirma o presidente da Associação Brasileira de
Medicina de Grupo, Arlindo de Almeida. A diferença, que já foi bem maior nos
planos de saúde, em favor do parto cirúrgico, terminou reduzida como forma
de coibir as cesáreas desnecessárias. Com esse mesmo objetivo, em 1998, o
governo limitou o pagamento dos partos cirúrgicos e passou a recomendar o
uso da anestesia em partos naturais na rede pública. 'Com isso, a situação
no SUS melhorou, e a taxa de cesáreas caiu de 36%, em 1996, para 25%, em
2003, mas ainda está longe de atingir os níveis recomendados pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), de apenas 15%', diz a técnica da área de
Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Isa Paula Abreu. 'Os médicos, de
forma geral, perderam a noção de respeitar o ritmo da mulher no trabalho de
parto, priorizando suas conveniências.' O governo prevê que a recomendação
da OMS seja atingida em 2007.
Se o médico ganha mais pela cesárea que ocupa uma hora de sua agenda, por
que optaria pelo parto normal que pode demorar mais de dez? Falta dar
solução ao bolso dos profissionais. Uma saída seria pagar melhor pelo parto
normal e cercar a mulher da assistência de outros profissionais. 'Na
Alemanha, o profissional que atende a gestante no pré-natal não é o mesmo
que faz o parto. Ambos ganham bem e um não precisa fazer a atividade do
outro para complementar a renda. Isso significa que o obstetra tem todo o
tempo disponível para acompanhar o parto normal', explica Jorge Kuhn. Aqui,
uma queixa freqüente dos médicos apontada pela pesquisa da Unicamp é a falta
de apoio de uma enfermeira obstétrica para observar o trabalho de parto e
acioná-los apenas pouco antes do nascimento. O despreparo dos profissionais
e o medo de processos legais também têm levado muitos médicos a preferir a
cesárea, na avaliação do secretário da comissão de assistência ao parto da
Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Eduardo de
Souza. 'A cesárea raramente apresenta complicações quando realizada em bons
hospitais e com uma boa equipe', afirma.
*Incentivos
Daniela faz curso de ioga para gestantes e espera que as técnicas de
respiração e relaxamento ajudem no parto normal
Aqui no Brasil, outro fator que faz toda a diferença é a cultura que cerca a
mulher e o parto. 'Na Holanda, as revistas e os livros para gestantes não
mencionam quase nada acerca da cesariana e explicam passo a passo o que
acontece num parto natural', conta a escritora Jussara Machado, que mora no
país há três anos, está grávida, e deve ter o bebê até o final do mês. O
parto na Holanda, seja ele domiciliar, em casa de parto ou no hospital, é
quase sempre acompanhado pelo marido. 'Proliferam cursos chamados 'samen
bevalling' (parir junto), em que pai e mãe aprendem técnicas para se
ajudarem e há uma infinidade de CDs com músicas para relaxamento e óleos de
massagem. A holandesa busca nesse dia um momento inesquecível, especial e o
menos frio possível.'
Perguntar a uma grávida se ela fará parto normal ou cesárea é descabido na
Dinamarca. A cantora Maria Luiza Lins Brzezinski, que mora no país há dois
anos, passou pela experiência. 'Vinha sempre aquele olhar de 'desculpa, não
entendi', seguido da resposta parto normal com um ar de obviedade, como se
eu tivesse perguntado se ela precisava fazer xixi todos os dias', conta.
Essa comparação não é exagero. A dinamarquesa realmente aceita o parto
normal com total naturalidade. Sabe que vai doer, vai passar e tudo ficará
bem, porque suas mães e avós passaram pela mesma experiência. Também sabe
que os obstetras são caros para o Estado e tudo será feito no parto para que
eles não sejam necessários.
*Sementes do medo
*O médico aprende cada vez menos sobre o parto natural na universidade. A
cesárea é mais segura para ele*
Entre as brasileiras, o desejo por um parto normal, como anunciado nas
pesquisas, parece não ter a mesma força. Acaba bombardeado pela
desinformação que gera inseguranças, falta de preparação para o parto e
medos incutidos até pela Bíblia. 'No Velho Testamento, Deus expulsa Adão e
Eva do Paraíso, dizendo-lhes, entre outras coisas, que a mulher pariria com
dor, um castigo para o pecado original', diz Abner Lobão Neto, coordenador
do Pré-natal Personalizado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ele lembra ainda que basta ligar a TV ou ir ao cinema para ver como o parto
é retratado com sofrimento. 'Acontece o mesmo na literatura e nas histórias
de mulheres mais velhas na família. Como sobrevive assim o desejo por um
parto normal?', pergunta o especialista, ressaltando que nessa direção falta
apoio dos médicos. 'Eles têm pressa em resolver o parto com a cesárea
porque, cada vez mais, recebem menos informação nas universidades sobre como
conduzir adequadamente um nascimento vaginal. Ficam inseguros.'
Danielle carregava a mala da maternidade na ponte aérea Rio-São Paulo até
entrar em trabalho de parto
A Federação dos Obstetras defende a classe: tem como norma valorizar o parto
natural como a melhor opção para a gestante e para a criança, mas reconhece
que a cesárea 'constitui importante conquista da obstetrícia moderna'. Em
artigo recente publicado na revista da Febrasgo, foi Marcelo Zugaib,
professor titular da Faculdade de Obstetrícia da Universidade de São Paulo,
quem melhor explicou a visão de boa parte dos médicos. Afirmou que 'não vê
problemas quando o obstetra opta por realizar apenas parto cesáreo, desde
que a paciente seja informada no início do atendimento'. Para Zugaib, o
grande erro é o médico usar da sua conveniência para convencer a gestante a
optar por uma ou outra via de parto. No artigo, ele chega a classificar como
'marginal' quem age desse modo. 'Qualquer procedimento estará dentro da
ética se houver o total esclarecimento por parte do médico para com a sua
paciente sobre as vantagens e desvantagens de cada parto, caso não haja uma
indicação puramente médica por uma ou outra via', sustenta.
*A gestante de melhor nível social opta pela cesárea e se torna exemplo
para a de classe mais baixa*
O problema, como observa o obstetra Jorge Kuhn, é que nem todos os médicos
agem de maneira tão transparente. 'Preferem um caminho mais sutil, com
frases que soam como ameaças veladas a complicações no parto, como 'humm...
tá meio grandinho esse bebê', ou 'parece que sua bacia é estreita demais'.
Sem contar as alegações para as quais a mãe, leiga, não tem argumentos:
cordão umbilical enrolado, pouco líquido, ou, 'olha, acho que não vai
dilatar muito mais do que isso nas próximas horas'.' Nesse momento, lembra a
parteira Ana Cristina Duarte, que participa da Amigas do Parto, uma ONG que
defende o parto normal, a cultura do medo favorece quem detém o poder. 'A
gestante, com suas ansiedades normais, mas em geral sem preparo adequado,
passa o controle da situação para o médico', afirma.
*Planos frustrados
Melissa, com a filha Maria Clara. O desejo por um parto normal deu lugar
a um parto cirúrgico na última hora
O caso de Melissa Donato Guimarães, 28 anos, ilustra a situação. Ela queria
o parto normal, mas no final optou pela cesárea. 'Fui ficando dividida com
os comentários de amigas que achavam a cesárea uma maravilha, porque você
marca a hora e não sente dor com as contrações.' E também tinha os seus
receios. Incomodava-a a idéia de que o bebê 'ficasse entalado no meio do
caminho'. Por outro lado, o parto normal a atraía pela recuperação mais
rápida e menos dolorida. A gravidez avançava e com freqüência ela trocava
figurinhas com outras gestantes. 'Quase sempre a resposta era cesárea. E me
questionava: 'Quem sou eu querendo fazer diferente de todo mundo?' Na
penúltima consulta antes da data prevista para o nascimento, terminou o
impasse. 'O médico garantiu que estava tudo bem, mas que ainda seria preciso
esperar o bebê descer. Eu teria de superar a ansiedade e suportar os
inevitáveis desconfortos de final da gestação. Mas havia a cesárea. Resolvi
por ela, feita dois dias depois', conta. Melissa está radiante com seu bebê,
Maria Clara, lamenta não ter esperado o parto normal, mas assegura que o que
sente não é arrependimento. 'Tive fortes dores no corte. Acho que não tive
muita sorte com a cesárea.'
*Informação e apoio do médico ajudam a driblar os fantasmas que ameaçam o
parto natural*
Com a comissária de bordo Danielle Carreiro aconteceu o inverso. 'Eu tinha
verdadeiro pavor de parto normal', conta. Vivendo entre Rio e São Paulo,
passou a consultar-se com dois médicos, um em cada cidade. No Rio, procurou
um profissional que a conhecia havia tempos e que respondeu aos seus temores
com a promessa de uma cesárea. Em São Paulo, quase foi embora do consultório
ao descobrir que o doutor era favorável ao parto natural. 'Como era
atencioso, fiquei com ele, apostando que, no limite, embarcaria para o Rio
no final para fazer a cesárea.' Com o tempo, Danielle foi confiando na
conversa do médico paulistano, que lhe mostrava as vantagens de ter um parto
normal. 'O medo parecia mais distante, mas na hora entrei em pânico. Cheguei
a me esconder no banheiro da maternidade, dizendo para meu marido que seria
melhor pegar um táxi e ir para o Rio fazer a cesárea', lembra. Depois de
muita conversa, foi levada para o quarto e relaxou. Passou a tarde
conversando com o médico e com o marido. 'Eles me apoiaram durante as 14
horas de trabalho de parto e levei as contrações numa boa. Se eu soubesse
que era só isso, não teria sofrido tanto antes', afirma.
*Com preparo
É fundamental o médico informar a mulher sobre as várias possibilidades de
combater a dor no parto. 'É a melhor forma de acabar com os fantasmas que
desestimulam o parto natural', diz o obstetra Luiz Camano, da Maternidade
Pró-Matre, em São Paulo. Ele faz um alerta às gestantes que decidem pela
cesárea acreditando que sofrerão menos: 'A recuperação pós-parto é quase
sempre mais difícil'. Além da boa orientação médica, cursos de preparação
para o parto costumam dar boas dicas para gestantes mais aflitas, como se
define a assessora de comunicação Daniela Oliveira. Foi numa dessas aulas
que ela descobriu a ioga para grávidas. 'Estou apostando que esta preparação
vai me ajudar a amenizar a dor nas contrações e facilitar a expulsão do
bebê', anima-se Daniela. Sua professora de ioga - e também doula -, Renata
Albuquerque, garante que é possível. 'Alivia a dor, por exemplo, a gestante
levantar e caminhar durante as contrações', explica. Daniela está decidida a
tentar um parto normal. 'Quero sentir o bebê saindo de mim', afirma. Quando
uma mulher de classe média opta pelo parto natural, como Daniela, ou pela
cesárea, como Melissa, influencia a decisão de muitas outras. Uma pesquisa
realizada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, com 5.304 gestantes mostrou que
as mulheres com renda familiar maior e nível de educação superior
normalmente são submetidas mais às cesáreas do que o restante da população.
'Esse é um dos motivos que levam as gestantes das classes menos favorecidas
a desejar o procedimento', explica Fernando Barros, consultor do Centro
Latino-Americano de Perinatalogia, ligado à OMS. 'Elas acreditam que a
cesariana representa um atendimento de melhor qualidade.' Como se vê, a moda
pega...
*O parto no mundo*
Os índices de cesárea crescem na Europa, onde tradicionalmente sempre foram
baixos. Ainda assim, estão em 20%, bem abaixo dos brasileiros, de 35%. Veja
como o parto é realizado em alguns países:
*Estados Unidos e Canadá*
*Os índices:* Em 2002, os EUA registraram uma taxa recorde de cesáreas:
26,1% - 7% mais que em 2001. No Canadá, o aumento foi semelhante. Na década
de 70, a taxa de cesáreas era de 6%.
*Como é o parto:* Nos EUA, 97% dos partos são realizados em hospitais.
As parteiras assistem 7% dos nascimentos. Os partos domiciliares
e em casas de parto são minoria, ou seja, representam 2% do total.
*Inglaterra*
*Os índices:* A taxa de partos cirúrgicos cresceu de 21,5% para 22% entre
2000 e 2002, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas. Em 1970
o número era 4% e, em 1999, ultrapassou o máximo recomendado pela OMS.
*Como é o parto:* No sistema público inglês são as parteiras que assistem
os partos normais, nos hospitais, sem a presença de obstetra e pediatra.
Os obstetras só entram em cena nos partos que necessitam de fórceps e quando
há indicação médica para cesárea. Em média, apenas um terço do total de
mulheres recebe anestesia.
*Holanda*
*Os índices:* Cesáreas ocorrem em 8% a 10% dos nascimentos.
*Como é o parto:* Parteiras e médicos assistem os nascimentos na mesma
proporção. A taxa de partos feitos em casa é de 35%. A anestesia peridural
só é aplicada em cesarianas.
http://revistacrescer.globo.com/Crescer/0,19125,EFC692779-2213-1,00.html
Patrícia Merlin
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20/10/06
Noites inspiradoras... Ás vezes acontecem...
S., 17 anos, chegou depois de quase duas horas do início do plantão, numa noite muito calma e eu estava quase indo embora...
Acompanhada da mãe, ela estava um pouco assustada, tensa, mas já na sala de espera (pela consulta), fui massageando os pés dela e puxando papo. Logo ela estava mais solta e entendendo melhor as reações do corpo.
Mesmo antes de falarem em internação, levei-a para a sala de TP, por que no ritmo em que ela estava, era claro que se tratava de TP mesmo.
Tive tempo de falar com ela sobre as mudanças de comportamento, sobre o tempo do TP, sobre o que era esperado e normal naquele momento.
O TP dela foi quase didático. Um ótimo exemplo. Toda feliz e falante no início, foi ficando cada vez mais concentrada e um pouco irritadiça, procurando melhores posições, relaxando nos banhos e respirando no tempo dela... Olhar vazio na transição, ânsia de vômito, vontade de sair correndo dali. Então a vontade de fazer cocô, de empurrar, fazer força e a cabeça do bebê já aparecendo na vulva.
Ela foi encaminhada pro CC e o bebeu em três contrações, sem epsiotomia e com uma pequena laceração. Logo após o nascimento da
L., um enorme sorriso nos lábios...
Nesta noite também aconteceu um encontro inusitado nos corredores. Uma mulher vem na minha direção, toda sorridente:
-Você está aqui! Que bom te ver! Pena que não deu tempo...
Eu devo ter feito cara de quem não estava entendendo e ela disse:
-Não lembra de mim, né?
Isso na verdade é bem comum, não consigo guardar todos os rostos que passam por ali. Mas ela explica.... Há exatos 9 meses, ela esteve na maternidade com a filha mais nova e eu estava no TP dela. Agora ela estava com a filha mais velha e me diz que passaram a gestação toda pedindo que o bebê nascesse numa sexta-feira, por que é o dia que eu estou lá... Pois o bebê atendeu o pedido delas, só que elas esqueceram de dizer que eu só estaria lá após as 18h e ele nasceu ao meio dia!
Patrícia Merlin
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Matéria
Maternidade de Londrina ganha prêmio do Ministério da Saúde
Maternidade Municipal Lucilla Ballalai receberá R$ 50 mil
Quatro instituições do Sistema Único de Saúde (SUS) vão receber o V Prêmio Professor Galba de Araújo, concedido pelo Ministério da Saúde. Criado em 1998 para destacar a humanização da assistência obstétrica e neonatal e o estímulo ao parto normal e ao aleitamento materno, o prêmio será entregue, no dia 7 de dezembro, na abertura do seminário nacional sobre o Panorama Atual da Saúde da Mulher: avanços e perspectivas, a ser realizado no Carlton Hotel, em Brasília.
A quinta edição do prêmio será entregue à Maternidade do Hospital Regional Dom Moura, de Garanhuns (PE), ao Hospital Santa Marcelina, de São Paulo (SP), à Maternidade Maria Barbosa do Hospital Universitário Clemente de Faria, de Montes Claros (MG), e à Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, de Londrina (PR). As maternidades de Pernambuco e do Paraná receberão R$ 50 mil, cada, enquanto as instituições de São Paulo e de Minas Gerais vão dividir o valor, já que obtiveram a mesma pontuação na avaliação a que foram submetidas.
Todas as maternidades que concorreram ao V Prêmio Professor Galba de Araújo apresentavam os mesmos requisitos: tinham taxa média mensal de cesáreas, no segundo semestre do ano passado igual ou inferior à estabelecida para a maternidade pelo Estado; têm Comissão de Controle de Infecção Hospitalar; permitem a realização de parto de baixo risco por enfermeiro e permitem acompanhante no pré-parto, no parto e no pós-parto. As vencedoras sobressaíram-se pela qualidade do atendimento, organização institucional e satisfação das usuárias.
A seleção inicial das instituições concorrentes foi feita por comissões criadas pelas secretarias estaduais de Saúde. A avaliação ficou a cargo da Comissão Nacional do Prêmio, com representação do Ministério da Saúde, da Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (Cismu), da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras (Abenfo), da Rede Nacional pela Humanização do Nascimento (Rehuna) e da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.
O prêmio reverencia a memória do obstetra Galba de Araújo, que conquistou destaque nacional e internacional por utilizar recursos humanos disponíveis regionalmente no atendimento às gestantes. Foram exemplos disso o incentivo ao treinamento de parteiras, a busca pela melhoria da qualidade de assistência ao parto domiciliar e a identificação das gestantes de alto risco.
A iniciativa do Ministério da Saúde de conceder o prêmio procura revelar ao Brasil experiências inovadoras na gestão pública que privilegiem o acolhimento da gestante e do recém-nascido na hora do parto e estimular as maternidades a tratar os pacientes com mais respeito e dignidade.
http://www.jornaldoestado.com.br/index.php?VjFSQ1VtUXlWa1pqU0ZKUFVrZDRVVlpyVm5OT2JGRjRWRzFHYVZKclNsWlZiR2gzVkd4V1ZVMUVhejA9
Patrícia Merlin
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